Mineiro: Atlético repudia atitude machista de mascote e afasta funcionário

"A reação dele esfregando as mãos e passando a mão na boca me dá nojo", disse Lorraynne Macedo, namorada da zagueira Vitória Calhau

por Agência Estado

Belo Horizonte, MG, 17 - Depois de apresentar o seu uniforme com modelos de biquíni em 2016 e de colocar jogadoras do time profissional como gandulas em jogo do Campeonato Mineiro deste ano, o Atlético-MG voltou a ter o seu nome envolvido em uma polêmica sobre machismo e assédio.

Na apresentação do elenco do time feminino para a temporada, a mascote do clube, o "Galo Doido", no domingo, no estádio do Mineirão, fez a zagueira Vitória Calhau dar uma "voltinha" para olhar o corpo da atleta. Pelas redes sociais, a namorada da jogadora se manifestou.

"A reação dele esfregando as mãos e passando a mão na boca me dá nojo, já me incomodaria sendo uma pessoa que não conheço, mas me incomoda mais ainda sendo minha namorada. São atletas profissionais, estão ali pela profissão, serem reconhecidas como jogadoras não por corpo ou beleza!", disse Lorraynne Macedo, atleta do Flamengo.

Foto: Pedro Souza / Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético
Em nota, o Atlético-MG lamentou o ocorrido e disse que o funcionário que dá vida ao "Galo Doido" foi "sumariamente afastado" de suas funções.

"O Atlético-MG lamenta e repudia o comportamento do funcionário, que foi sumariamente afastado. Pedimos desculpas à atleta, às demais jogadoras e a todas as torcedoras e torcedores pelo lamentável ato".

O fato ocorreu durante o intervalo da partida que terminou em derrota do Atlético-MG para a Caldense por 2 a 1, em confronto válido pela sexta rodada do Campeonato Mineiro. No mesmo evento, o centroavante Diego Tardelli foi apresentado aos torcedores para sua terceira passagem pelo clube mineiro.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Já o time feminino do Atlético-MG estreia no Campeonato Brasileiro A-2 no dia 15 de março, em casa, contra o Vila Nova-ES. Local e horário dos jogos da competição serão divulgados pela CBF.

RECORRENTE
No começo desta temporada, o Atlético-MG foi criticado por colocar seis atletas do time profissional como gandulas na vitória da equipe sobre o Tupynambás por 5 a 0, pelo Campeonato Mineiro.

O clube alegou que o convite para a função também foi feito para os jogadores do time masculino sub-20. Como as jogadoras dividem o mesmo espaço de treinos, tanto masculino como feminino tiveram as mesmas oportunidades.

Em 2016, o time alvinegro também se envolveu em polêmica ao lançar o seu uniforme com modelos trajando biquínis. Para piorar, nas instruções de lavagem, a empresa Dry World colocou como instrução: "Dê para sua esposa". Na época, o presidente Alexandre Kalil, atual prefeito de Belo Horizonte, tentou deslegitimar a discussão gerada:

"Num país com tanta roubalheira, implicar com bunda de fora parece sacanagem. Esse assunto já deu", escreveu em seu Twitter.