Da Bahia à África: a história de Judson, jogador do Atibaia e da Guiné Equatorial

Meia-atacante é o artilheiro do Falcão e já jogou as eliminatórias africanas para a Copa do Mundo de 2014

por Federação Paulista (FPF)

Campinas, SP, 28 (AFI) - Praticamente todos os jogadores profissionais de futebol já tiveram o sonho de atuar pela seleção, e ainda mais, disputar uma Copa do Mundo. Um desses atletas é o meia Judson, jogador do Atibaia, que até mesmo já fez gol em Eliminatórias, mas se engana quem pensa que foi atuando pela Seleção Brasileira.

Nascido em Salvador, na Bahia, o jogador, de 27 anos, recebeu um convite inusitado: atuar pela Guiné Equatorial nas Eliminatórias da África tanto para a Copa do Mundo de 2014, quanto para a Copa das Nações Africanas. Naquele período, o país africano buscava fortalecer a sua seleção com a naturalização de jogadores estrangeiros, sobretudo brasileiros, influenciados pelo técnico do país na época, o carioca Gilson Paulo.

“Recebi o convite em 2012, de dirigentes esportivos do país que me acompanhavam pela internet. Fiquei meio surpreso até porque se tratava de uma naturalização, então quando recebi o convite, tive que conversar com o meu empresário e com a minha família, e resolvi aceitar. Foi uma experiência muito boa, onde estreei com gol nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações, contra a seleção do Congo, onde saímos com a vitória por 2 a 1”, disse o jogador do Atibaia.

 Da Bahia à África: a história de Judson, jogador da Guiné Equatorial
Da Bahia à África: a história de Judson, jogador da Guiné Equatorial

Acompanhado por outros brasileiros, como o goleiro Danilo Clementino, que atuava no Alecrim-RN e do atacante Ricardinho, que estava no São Bernardo FC, o atleta falou sobre a recepção no novo país.

“Fui muito bem recebido por torcedores, onde cerca de mil estavam esperando nossa chegada no aeroporto de Malabo (maior cidade do país). Foi uma sensação inexplicável, até porque joguei para quase 30 mil pessoas, e por isso, sou muito grato pela experiência”, relembrou.

Pela estratégia de naturalizar jogadores do mundo inteiro, o vestiário era um ambiente cheio de peculiaridadas. “A atmosfera no vestiário era das melhores, onde tudo era muito descontraído, principalmente porque tínhamos jogadores brasileiros, colombianos, portugueses. Dançávamos e riamos muito, com cada acompanhando os ritmos do país do outro (risos)”, revelou.

Após a eliminação da Guiné Equatorial na segunda fase das Eliminatórias Africanas para Copa do Mundo 2014, Judson não foi mais convocado, mas o jogador ressalta que mantém viva esperança de ser convocado novamente. “Estou esperando voltar para a seleção, onde eu fui muito feliz e gostaria de atuar novamente”, falou.

BOA FASE NO CLUBE
Defendendo a camisa do Atibaia desde 2019, Judson é um dos destaques da equipe no Paulistão A2 Sicredi, sendo o artilheiro, com quatro gols marcados.

“Vinha me dedicando bastante durante a pré-temporada, me cobrando bastante em marcar gols, até porque meia-atacante completo também precisa ir às redes. Fora que meus companheiros me ajudaram muito para que eu conseguisse chegar nesses números”, comentou o jogador.

MANTENDO A FORMA
Com a paralisação do Paulistão A2 Sicredi por conta da pandemia do COVID-19, o artilheiro atibaiano revela os cuidados durante a pausa para se manter em atividade.

“O coronavírus pegou todos nós atletas de surpresa. Com essa pandemia, procuro treinar em casa para manter minha forma física, até porque não sabemos se iremos retornar. A comissão do Atibaia passou uma programação de treinos que devemos cumprir. Espero que isso passe logo para que possamos voltar com o espetáculo do futebol”, concluiu.

Antes da paralisação do estadual por conta da pandemia, o Atibaia estava na 11ª colocação, com 14 pontos somados, quatro atrás da Portuguesa, oitava colocada.

Natanael Oliveira, especial para a FPF